domingo, 22 de abril de 2012

Easter Bunnies - Capítulo 04: Enquanto O Sol Se Põe


         Talvez ninguém tenha pensado nisso, mas os garotos com certeza tiveram a grande ideia. Htsiel planejou tudo e coordenou o grupo como jamais visto antes pelas mãos de tão impetuoso membro. Avraham, não contente com o incidente suicida de seu parceiro de longa data, enveredou-se por outras escolhas e terminou caindo no mesmo plano dos colegas, por mais que não desejasse. Sua ambição era boa, quiçá autodestrutiva, contudo muito otimista e significativa. A única diferença é que ele não se uniria aos demais, no derradeiro momento.

Fatídico ou não, Avraham era genuinamente digno do cargo de companheiro de Azkriel. Sua capacidade de planejamento era suprema, indiscutível. Recorda uma vez que ele salvou toda a equipe com uma simples troca de percurso na rota de fuga dos assassinos. As melhores observações sempre eram feitas por ele. O mais preciso olhar analítico de toda a instituição, ele detinha uma capacidade muito rara e valiosa de pensamento e encadeamento lógico consequencial jamais vista. Sua fama era de estrategista, por muitos ignorarem os poucos e extremamente satisfatórios serviços que já havia feito. Senhor dos martelos.

Contando menos de duas horas para o fim da história, Disciple embarcou no ônibus e voltou para sua casa, com um sorriso no rosto e uma lembrança na memória. Por fim seria capaz de se tornar líder de alguma coisa, repousar numa posição superior a alguém, comandar alguém, sentir o gosto do poder. Mal ele conhecia o futuro. Mal o futuro conhecia a si mesmo.

O último caminhão posicionou-se no norte da ilha, perto do atracadouro. Seis mergulhadores desceram pela lateral rochosa e encontraram seus alvos com relativa facilidade. Sem demora, emergiram, em conjunto, tais quais atletas. Um simples sinal. Um telefonema foi feito.

- Sim, Htsiel, pode fazer o pronunciamento e estamos feitos. Que nossas carcaças apodreçam em paz e nossos nomes sejam lembrados por toda a eternidade como os protetores do novo mundo. Que Disciple entenda o recado, finalmente. – Dizia a voz rouca de Avraham, em tom solene e grave.

- Um instante. Deixe Ré se pôr pela última vez. Ele tem o direito de se despedir, afinal, não mais o veremos. Encontraremo-nos com o fim da história, finalmente. A última página. Aprecie o céu colorido. Sinta-se plenamente envolvido pela vida, pela última vez, sinta-a beijar teus lábios e abraçar teu corpo. Sinta a vida como nunca sentiu. Ame-a, deixe-a amar-te. Viva-a. Respire fundo e feche os olhos. É agora. – A voz de Htsiel esvaiu-se pacífica e suavemente. Era chegada a hora. Um simples movimento. Um dedo e um botão. O fim.

O leitor mal deve entender o que se passou. Bem, os Easter Bunnies implantaram bombas de porte médio, projetadas para destruição em grande escala, sob a ilha que habitavam. O Sol se pôs e Htsiel desejou observar, apreciando sua última visão antes da morte. É quando finalmente decide por apertar um pequeno botão em seu bolso e a ilha começa a estremecer e desmoronar, abrir-se em partes e afundar. Uma cidade inteira engolida pelo oceano.

A morte de – aproximadamente - um milhão e duzentos mil pecadores, mentirosos, enganadores, monstros. Demônios, como chamaria Azkriel. E, para ele, o mundo foi salvo. O mundo também concorda, os Easter Bunnies morreram, o mundo se sente salvo. Disciple chora ao ver as imagens do território em chamas e submergindo. Um velho império cai para que um novo império nasça.
Ass.: Igor Livramento


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Easter Bunnies - Capítulo 03: Vida


         - Não é fácil definir uma teoria que compense as dúvidas, especialmente para nós, os leigos. Contudo, e isso eu lhe garanto, será de fácil entendimento daqui para frente. Siga-me mentalmente e peça a parada sempre que precisar. – Dizia Azkriel, sorridente.
         Sua alma se regozijava em infinda alegria. Um garoto, finalmente, desejava saber o que ele – e somente ele – sabia. Ninguém do grupo se prestava a escutar seus longos discursos sobre a vida, a morte, o universo, Deus e tudo mais. Disciple, em compensação, amava tanto seu mestre que roia as unhas de expectativa, aguardando as descobertas.
         - Se a Grande Explosão estiver correta, muito do que pensamos e conhecemos já estará decifrado, sem grandes dificuldades. Isso é uma problemática de cosmologia. A cosmologia lida com o surgimento, o dito nascimento, e a formação do universo. Mas nem tudo são flores. Eu mesmo tenho um íntimo sentimento de que o universo sempre foi assim. Sempre existiu. E sempre quer dizer: sem começo nem fim. Difícil definir como isso pode ocorrer, mas eu aceitei muito bem em meu coração, no íntimo dos sentimentos. – Grave silêncio sucedeu e os olhos questionadores do jovem indicavam uma curiosidade bizarra e satisfatória.
         - Como eu cheguei nisso? Anos de vida. Longos anos de vida. No princípio eu acreditava num pensamento interessante, não muito divergente da ciência, mas que tinha pontos, pequenos pontos, os quais muito me incomodavam. O nome da junção desses pontos é Deus. Ou Jeová, ou Javé, ou YHVH, ou Já, ou Allá, ou Ein Soph, ou qualquer coisa do gênero. – Azkriel sorriu.
         Disciple também sorriu. Estava contente com o aglomerado informacional que seu tão querido pai – autodeclarado – possuía. Ele era realmente um gênio, ou um monstro. Não importava o que fosse, era o rei dos reis para o ingênuo adolescente.
         - Não é difícil se ocupar pensando na vida. Nada difícil. A vida como a compreendemos é riquíssima em dúvidas ainda inexplicadas ou, ao menos, permanentemente irresolutas para a maioria de nós. Maioria tola que não – que jamais – deseja o conhecimento. O saber é, provavelmente, a melhor informação que pode adentrar sua vida e constituir seu ser. O melhor de tudo isso? Você decide o quanto quer e a qualidade que deseja. – Mais um silêncio se formou, nosso heroi havia decidido por um copo d’água.
         - Se a Grande Explosão estiver correta, nós existíamos há, aproximadamente, 14 bilhões de anos, num aglomerado de matéria extremamente condensada e aquecida. Nada muito bonito? Eu acho lindíssimo, mesmo que não seja minha crença mais ferrenha. Todos nós, lá, inanimados, prontos para sermos expelidos em diversas direções a tempos iguais ou diferentes, resultando em tudo que observamos hoje, ou já foi observado em algum momento do passado. Você poderia ser uma Estrela de Neutrons, agora. Você poderia ser um meteorito, ou um dos satélites naturais de Saturno. Ou simplesmente poderia ser Hidrogênio perdido por aí, na imensidão escura. Entretanto, por uma série de pequenos passos do acaso, sutilmente estruturado, mas não completamente, você está aqui e você está vivo. Sim? – O prodigioso armamentista havia erguido sua destra em sinal de interrupção.
         - Tudo bem, você explicou várias coisas que eu já sabia e algumas poucas novidades bem divertidas. Por que você disse que estou vivo, em vez de dizer que sou vivo? Mamãe pode ser advogada, mas tenta me enfiar umas crenças católicas nada divertidas. – e silenciou com pesar, sentindo uma pontada de culpa por reclamar da própria progenitora. – Indagou Disciple, sem hesitar.
         - Por quê? Porque um dia você estará morto, assim como eu e todos os entes viventes daqui e de qualquer outro lugar do firmamento. Eu mesmo tenho minhas contradições lógicas a esse tema. Mas o que fazer? Ninguém disse que a realidade é logicamente consistente. Ninguém disse que o mundo, os céus e os mares fazem sentido. É apenas uma suposição humana acreditar que a lógica pode ditar os parâmetros da realidade. Há, mesmo, leis da física que contradizem a intuição lógica comum. Talvez não sejamos capazes de abranger em nosso tempo de vida, ou em nossas limitadas mentes, uma lógica muito maior, mais complexa e rica, que englobaria tudo que existe e mesmo aquilo que inexiste. – Lenvantou-se da cadeira, nosso protagonista, esticando os braços e movimentado muito bem os joelhos.
         - Como é bonito o céu. Já reparou nos tons azulados do alto infinito? Microlentes gravitacionais e polarização da luz. Há quem diga que acabei de destruir a beleza do céu. Eu os mando pro inferno. Acabei de adicionar ainda mais beleza ao céu, porque agora sei os motivos dele ser assim e de funcionar como funciona. Sei até que ponto posso reproduzi-lo, imitá-lo, modificá-lo, etc. Indo de encontro ao pensamento medieval, ainda vigente em nós, ocidentais, o conhecimento não é algo ruim, negativo. Muito, mas muito mesmo, pelo contrário. É o que pode haver de mais magnífico neste mundo. Somos todos produto do conhecimento. Se outro pensamento meu estiver certo, ou melhor, um pensamento que aceito de alguns cientistas, então somos todos, literalmente, aglomerados organizados de informação. E isso nos tornaria ainda mais apreciáveis como obra do acaso, em detrimento doutros pensamentos. – Azkriel silenciou.
O desconhecido gênio caminhou até o filtro, girou a torneira e encheu seu copo com mais água em temperatura ambiente. Bebeu tudo num único gole, saciando-se.
- Certa vez estava eu, observando uma pequena caixa roxa, contendo clipes. – Pausou e fez longa inspiração. – Fixei meu olhar, por algum motivo que agora não recordo, num ponto próximo à caixa. Um ponto muito escuro contido no plano da mesa de madeira sobre a qual estava disposta a caixinha. Lentamente os pensamentos se sucediam e aprofundavam. Incrível e animadora distorção visual se produziu em minha compreensão e já a caixinha parecia bidimensional. O mundo é, definitivamente, lindíssimo. – Parecia deixar-se levar por uma correnteza macia e agradável.
         - Aquela é uma das crenças semirreligiosas sobre as quais você me falou antes de virmos pra cá? – Questionava o discípulo e filho de criação do herói.
         - Sem dúvidas. Todas elas. Pensando agora eu prefiro que hajamos explodido há alguns bilhões de anos, a deixar com que o espaço-tempo exista desde sempre. É realmente mais legal e divertido, porque concede exclusividade. Caso o espaço-tempo exista desde sempre e continuará a existir sem fim, um infinito de possibilidades ocorreu, ocorrerá e ocorre. É até possível unificar. Uma expansão demasiada, como numa mola, gera uma contração excessiva, sendo assim um processo autossuficiente e eterno. O problema da criação não me cabe, nem agrada saber. Não creio necessário algo fazer surgir esse processo, mesmo porque, se é eterno, então é eterno, não teve origem, ou causa primária que o valha. Simplesmente sempre foi e sempre será assim. É até mais confortável e justo que um ser sem limites comandando, a seu bel-prazer, nossas existências medíocres. – Bocejava Azkriel, demonstrando a má respiração que cultivava diariamente.
         Ambos os cérebros, já cansados, resolveram caminhar pelo bairro. Ao retornarem, tomaram seus banhos, cozinharam um bom frango ensopado e um delicioso macarrão integral, escovaram seus dentes e deitaram para aguardar o amanhecer seguinte. O frio daquela noite era irreconhecível sob as grossas cobertas de posse de nosso protagonista. E o tempo fez do ato de sonhar um reino externo ao mundo.
Ass.: Igor Livramento

terça-feira, 3 de abril de 2012

Criança sempre criança


Quando eu era criança sonhava em ser maior, em poder fazer aquilo que os adultos faziam e que eu era privada de uma forma que me magoava, docemente, mas magoava. Hoje, eu estou feliz por estar onde estou e ser quem eu sou. Eu cresci! Estou viva! Se eu não tivesse crescido, não conheceria meus amigos de alma que conheci, não aprenderia nada do mundo, não conheceria outras vidas como se fosse a minha própria... Não decidiria meu futuro, nem sonharia com ele... Eu sou grata pela vida, a idolatro mais que tudo, pois sem ela nada do que eu amo eu amaria. Mas... Às vezes eu sinto saudades da época em que eu não sabia as impurezas do mundo, não sabia das responsabilidades, nem pensava no dia seguinte; Que vestia minhas barbies e achava que aquilo estava decidindo o mundo. Sinto falta da época em que o parquinho era o melhor e maior lugar que eu podia imaginar estar, onde os problemas eram a difícil decisão de que sorvete tomar, onde eu sentia o cheiro da liberdade, que não existia, mas que eu achava estar presente nas minhas invenções e nos amigos imaginários que me acompanhavam sempre.
Sou feliz por ter crescido, mas olho para o passado com saudade e certa melancolia. Lugares me levam de volta ao passado, cheiros me lembram de brincadeiras. Talvez seja um lado artístico que faz tudo parecer cena de filme... Mas é tão real, que eu até esqueço.
A vida é mesmo louca. Um dia você nada sabe no outro tudo quer no outro tudo pode e no outro precisa conquistar loucamente. Mas me diga quem não sente saudade daquilo que foi? Que fez! Aquilo que fez bem, que aproveitou e curtiu.
Você se torna adulto e outras loucuras se passam pela sua mente e se tornam seu desejo. Mas ambicioso certamente, mas sempre seu. As lembranças serão sempre uma eterna companhia. Nada é esquecido, tudo é arquivado.
Isso é o bom de viver.

 Ass: Beatriz Sá

domingo, 25 de março de 2012

Easter Bunnies - Capítulo 02: Quem São Os Anjos



         A princípio suspeitava-se que Azkriel fosse um megalomaníaco, devido a seu comportamento autoritário, seu complexo messiânico e suas falas e pensamentos sobre um novo mundo. Contudo, os Easter Bunnies perceberam, pelo passar do tempo, que o segundo membro mais jovem do grupo não estava errado, tampouco em desacordo com os objetivos da equipe. Grande estudioso das ciências humanas, Azkriel era um empreendedor de altíssimo nível, talvez um dos maiores empresários que nosso país miserável já teve a capacidade de fazer surgir. Mesmo entre tão caros amigos, ele ainda era respeitado por sua gigantesca sabedoria. Não somente conhecimento, porque não basta ler, conhecer e entender para fazer valer algo que se sabe, é preciso aplicar o conhecimento adquirido, enriquecendo e melhorando as experiências. Nisso, sem dúvidas, Azkriel foi um mestre. Planos e mais planos sem falhas, mas jamais se admitiu perfeito arquiteto de mortes, sempre reunia o Conselho dos Altíssimos, mesmo quando seu plano já era estritamente perfeito, ausente de falhas quaisquer.

         Muito bem ele sofre e chora, dentro do apartamento de Júlia, dentro do banheiro, com os dois cadáveres extremamente mutilados perto de si. O sangue pinta os azulejos de carmesim, impedindo qualquer negação que venha a ser dita sobre o assassinato. Todavia, não se trata de um ato qualquer, o fenômeno tomará sua real forma, esplendorosa, quando chegar a hora.

         A polícia utiliza-se de megafones e os transeuntes param para observar toda a dor que permeia a alma de nosso protagonista angelical. Aí reside outra dúvida: ele, além de realmente muito bonito, é rico, inteligente e carinhoso. Por que essa vagabunda o deixou? Vadias nunca deixarão de ser vadias, definitivamente. Vocês sabem do que falo leitoras e leitores.

         Abandonado em um estado de desolação e vacuidade, sua alma já não mais residia em si, havia abandonado o corpo para aventurar-se nas loucuras da inconsciência. Desejos reprimidos, sonhos esquecidos, vida e morte súbitas, loucuras mil. A paixão pelo saber não fazia mais sentido, tudo, em verdade, perdia o sentido. Somente a fantasia valia naquele momento e ele bem sabia disso.

         O som das pancadas na porta atormentou sua mente e, pela última vez, Azkriel, a entidade psicofísica esteve ali, definida em seu meio cultural, para abandoná-lo de vez. Três policiais adentraram o imundo apartamento, manchado de ódio e violência, mas jamais arrependimento. O primeiro foi morto por uma facada no rosto, o segundo teve um pedaço rosto arrancado. O terceiro por sua vez foi capaz de matar nosso herói moderno com sete tiros pelo corpo todo. E ainda na hora da morte Azkriel sorriu, fechando os olhos calmamente em meio à dor e sentindo-se bem por estar capaz, finalmente, de não precisar encarar mais qualquer forma de sofrimento que a vida terrena acarreta.

         No segundo dia em que seu corpo estava para ser devolvido a possíveis familiares ele desapareceu e foi velado, secretamente, na antiga base do, há muito extinto, grupo de assassinos. Era a hora dos Easter Bunnies juntarem-se novamente e cumprirem sua última promessa feita ao The Head. Ele, o grande gênio qual encabeçou as obras-primas da equipe. Ele, o grande mestre qual estabilizou todos juntos e fortaleceu as amizades. Ele, o único que se manchou apenas duas vezes de sangue, onde apenas uma das vezes foi a serviço do grupo, constante dos seus primórdios, quando nem mesmo um nome ele tinha. Ele, o homem que será lembrado para sempre, com ódio por muitos, e amor pelos poucos que compreenderam suas ações e decisões.

         Htsiel reuniu os Easter Bunnies no antigo covil onde toda a vilania, toda a maldade poderia ser encontrada por olhos comuns, mas apenas um coração sofredor e sincero, purificado, um coração de anjo acharia ali a verdadeira salvação para esse mundinho medíocre. Assemelhava-se a um estacionamento para caminhões de grande porte. As Baleias, como diria Azkriel enquanto vivia. Htsiel abriu o jogo, em presença de todos, e solicitou que trouxessem o conteúdo das gigantescas carretas. Bombas de grande porte, alimentadas por material radioativo.

         - Ah! Nada como os excelentes serviços prestados pelo Disciple. Quanta alegria desse garoto! Faz honra aos dias que passou junto do Head. Que saudades... – Proferiu, com notório saudosismo, o antigo parceiro de Azkriel, Avraham.

         Avraham, um monstro em combate corpo-a-corpo e à distância, utiliza sempre dos serviços do prodigioso jovem chamado de Disciple.

Disciple é um garoto que passou sua juventude ao lado de The Head, compartilhando, assimilando, internalizando seus conceitos, suas concepções, suas interpretações divinas de vida, morte, justiça, amor, ódio, violência, paz, sua visão política, suas crenças semirreligiosas, entre tudo mais que uma pessoa pode compartilhar. Além de ser uma réplica mais jovem do líder do grupo, também é um gênio da engenharia militar. Sempre serviu à equipe sem recusa e sem hesitação. Produziu as melhores criações em termos de armamento, do levíssimo ao pesadíssimo, sempre oferecendo preços realmente baixos por considerar Azkriel como seu pai de criação e eterno mestre.

- Como Azkriel costumava dizer: “alguns me chamarão de Deus, outros de Demônio. Uns de anjo e outros de aparição. Apenas os verdadeiros chamar-me-ão pelo nome de criação, a santificadora luz: Azkriel.” – terminava, assim, Htsiel, a primeira etapa dos planejamentos dos Easter Bunnies para vingar a morte de seu amado amigo.


Ass.: Igor Livramento

terça-feira, 20 de março de 2012

Easter Bunnies - Capítulo 01: O Começo Do Fim



         Estava o garoto, tristemente, desocupado durante o horário de trabalho e observava o twitter da ex-namorada. Lendo a descrição do perfil de usuário ele se recorda das bandas favoritas dela, de sua comida favorita e observa, ao final, uma visão não menos rude que um ataque terrorista: “E sou do Daniel”.

         - Um instante! – pensou ele. – Quando estavas comigo, vadia, não eras “minha” porque não mais vivemos numa escravidão e as pessoas não pertencem umas às outras como propriedades, visto que vivemos e sobrevivemos perante a valorização da individualidade de cada ser humano, respeitando seu universo próprio e pessoal, criando e desatando laços aqui e ali. – desenvolvia o pensamento dentro de si mesmo.

         É então que ele decide buscar o perfil de usuário do novo namorado e a merda está feita. Deus sabe do que falo.

         - E gosto de tuhn tcha tcha tuhntuhn tcha?! Quem porras este pedaço de bosta pensa que é? Assim não vai dar, não vai rolar. Porra! Que vadia! Ela me trocou... Por isso!? De jeito maneira! Isso não vai ficar assim. Não mesmo. – remoia-se em pensamento sombrios e cruéis.

         Há de se notar que ele não é um garoto normal, seus sentimentos não condizem com os padrões da maioria das pessoas e isso o torna meu objeto de narração. Faz-se aqui o milagre da fantasia e nomeia-se o garoto por Azkriel. É seu nome de enredar. Se não o é, passará a ser.

         Ainda três horas da tarde e nosso protagonista adentra o apartamento de sua ex-namorada, aproveitando a saída dela. Ela o cumprimenta e diz que não demorará em retornar. Ele apenas sorri com os lábios, sem expor os dentes e aproveita-se do momento. Quando a porta se fecha ele sorri de forma obscena, vívida, maldita, um sorriso esgarçado e odiento.

         Voltando pelas horas da noite, alegremente, a dona do apartamento encontra sangue no chão da sala e sobre ambos os sofás. Nada se vê na cozinha. Levantando os olhos para o corredor ela observa seu ex-amante parado, com um olhar vago, distante e os lábios trêmulos. Suas mãos estão banhadas em sangue e possuem pequenos pedaços do concreto das paredes enfiadas nelas. As paredes possuem grandes buracos e rachaduras profundas, demonstrando a força sobre-humana do garoto.

         - Yuki! – a jovem corre desesperadamente em direção ao quarto, buscando encontrar seu cãozinho com vida.

         Doce engano. Nosso herói o havia aberto com as próprias mãos, espalhando suas vísceras pelo chão. O olhar de sofrimento do animal era pouco notório. Júlia volta correndo, enfurecida, a fim de enfrentar nosso homem e monstro. Porque eu sei que muitos de vocês o chamam de monstro ao saberem do fim trágico que ele deu ao animal. Seus parciais de merda.

         Enganada pela fúria ela o golpeia a face com uma tapa. É o fim. Azkriel sorri como um demônio, seus olhos avermelham-se e enegrecem-se. O verdadeiro fim chegou. Nem mais um amanhã para usar de desculpa. Nem mais um novo amor para esquecer um antigo.

         Desfazendo a garota em trapos de uma pessoa, ele a espanca com tamanha violência que seu corpo desmaia e acorda repetidas vezes, durante a série de socos desferidos contra seu rosto e torso. Gentilmente segurando-a pelas canelas, rompe ambos os joelhos para trás em fraturas expostas, contrárias ao movimento natural. Ele então arranca o olho direito da garota, mastigando-o como um animal esfomeado. O frágil corpo insiste em permanecer acordado e vivo, fazendo-a gritar incessantemente, enriquecendo a maldade de nosso protagonista. Num ato de puro amor ao ódio ele morde a mão dela, expondo mais alguns ossos ao ar ambiente.

         É então que o grande espetáculo da miséria humana toma forma. Arrastando o corpo de sua segunda vítima, sua ex-namorada, até o banheiro, ela é capaz de avistar, mesmo em meio ao próprio sangue e sofrimento, o corpo de Daniel, seu atual namorado. Chorosa, ela identifica o corpo do atual amante amarrado de ponta-cabeça, com diversos cortes sobre o torso, pernas, braços e rosto. O namorado sorri ao ver o objeto de sua paixão, porém o dono da situação usa-se de um alicate para arrancar-lhe alguns dentes, impedindo-o de sorrir em meio a tamanho sofrimento.

         - Eu sou seu Deus agora! Eu sou a porra do amor que você esmagou quando beijou aquele filho da puta na minha frente e disse que tudo tinha acabado! Tá vendo?! Você tá vendo a fonte de toda a força que flui no universo! Daquilo tudo que vive e que morre! Eu sou Deus! – e gargalhava como um maníaco, afinal é um maníaco, abusando do controle da situação sobre ambas as vítimas.

         Assim, fria e indiferente, a noite se acabava, com os vizinhos do andar logo abaixo, o segundo andar, fazendo uma bela festa, com música alta a noite inteira, impedindo os gritos de serem percebidos. Deu-se assim o começo do fim. Azkriel não mais pertence aos Easter Bunnies enquanto membro vivente, mas isso... Contarei só no próximo capítulo.

Ass.: Igor Livramento

sábado, 3 de março de 2012

A Luz



Querida Luz,

 Estou com medo, um pouco sem forças também. Sinto uma espécie de frio interior que não passa com cobertas, nem casacos, nem nada quente que eu possa imaginar. É estranho, eu não sei bem o que pensar. Tantas coisas se passam em minha mente, lembro de momentos de quando eu era bebê! Isso não é louco? Pensei que eu não tinha essa capacidade, mas parece que minha memória está a fim de relembrar as coisas. Eu realmente vivi uma vida boa, querida.

Lembro-me agora das folhas que eu pegava pelas ruas do antigo bairro em que eu morava... Eu era tão criança! Tão pequeno! Tão sonhador... Lembro da primeira garota que eu me apaixonei. Era engraçado! Uma sensação de poder! O suor escorria pelas minhas mãos quando eu a avistava de longe chegando ao colégio. Meu coração parecia um carro sem freio. Minha alma gelava, mas eu me sentia quente! Doce primeiro amor... Lembro-me com mais intensidade do meu segundo amor, porém eterno. Margarida! A mulher de minha vida... Com ela, além de eu sentir essas coisas do primeiro amor, eu sentia uma ternura, uma vontade louca de guardá-la em algum lugar e apreciá-la toda noite, como se fosse uma boneca que eu cuidava carinhosamente.
Com ela descobri o que era amar, o que era se apaixonar, o que era crescer nessa vida. Formei uma família, tive lindos filhos, netos, bisnetos... Infelizmente, eu há vi partir. Algo que eu não gostava de imaginar. Não consigo descrever o que senti naquele momento. Foi algo ensurdecedor. Uma voz gritando em meus ouvidos! Era a voz da dor. Uma parte de mim se foi com minha Margarida. A minha metade partiu junto a ela. Mas eu continuei nesse mundo, e vi mais um neto nosso nascer. Sentia ela ao meu lado, chorando, emocionada pela glorificação da nossa família...

Eu sempre fui um homem trabalhador, não sei como, mas consegui dar o que prometi a minha mulher, e meus filhos. Aquela família feliz! Tão feliz... Claro, brigas aconteceram como em qualquer família... Mas sempre o amor falava mais alto.
Agora, eu sinto o cheiro das laranjeiras do meu jardim quando era menino, sinto o cheiro da chuva vindo, sinto o gosto dela molhando os gramados...
Agora me lembro do meu casamento, da minha doce lua de mel... Lembro do nascimento de Violeta, nossa primeira filha. Sinto uma lágrima correr pelo meu rosto. E um sorriso se abrir nos meus olhos. Isso é louco! Ó céus!
Sinto a mão de alguém na minha mão. Sinto o beijo de alguém no meu rosto. Sinto a presença dos meus filhos...
Sinto-me fraco, mais fraco...
Sinto-me feliz! Com uma vida completa.

Tudo bem, querida Luz, eu estou entendendo... Sei que já cumpri meu tempo, e formei meu legado.
Eu vejo! Vejo alguém agora vindo em minha direção, alguém pura, com um vestido vermelho, e uma aparência serena. Ah! É meu amor... Minha Margarida! Sinto meu coração ficar mais fraco, e a mão dela chegar a minha mão. Como em um túnel louco vejo milhares de fotografias, da minha própria vida, passando diante do meu cérebro. Reconheço cada momento. Minha memória se permitindo sua última utilidade! Sinto a mão de Margarida na minha! Pouco sinto a mão que sentia antes em minha mão, e o beijo que sentia antes em meu rosto... Vida plena, doce vida.

Estou pronto. Leve-me, querida Luz.

Ass: Beatriz Sá

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Noutra Noite Qualquer



         O vento soprava impiedosamente. A cabeça careca, lisa, o corpo recoberto por roupas simples, calça larga, sapatilhas nos pés, moletom a cobrir do tronco para cima, sobreposto a uma camiseta preta simples, de mangas longas. Ele adentrava o bar com um semblante pacífico e tranqüilo. Todos os barbudos, os carecas, ambos musculosos, observavam o jovem cerca de dez anos mais novo que a maioria ali presente.

         - Quem é Gabriel? – Pronunciou-se, finalmente, quebrando o silêncio.

         Um homem grande, de musculatura desenvolta, com algumas tatuagens de caveiras em chamas e santos espalhadas pelo corpo levantou-se, detrás do balcão. Havia um lenço preso à sua testa, qual cobria a falta de cabelo, visivelmente compensada pelo excesso de barba.

         - Sou eu, pequenino. O que você quer? – Disse com a voz arranhada do uísque sem gelo qual acabara de beber.

         - Eu não estou nada feliz com que fizeste Gabriel, ao meu irmão. Ele está hospitalizado por tua causa. E eu bem sei, via relatos dos presentes na ocasião, que tu estavas completamente consciente. Poderias ter evitado a tragédia. – Proferiu o garoto careca, de rosto liso, barba feita. Sua voz matinha um tom calmo e pacífico, quase amigável e seus olhos dificilmente demonstravam a vingança esquentando e queimando seu sangue, internamente, em sua disciplinada mente.

         - Você fala demais, pirralho. Nem tem idade para entrar aqui. Rala peito ou o couro vai comer. Anda! Anda! – Gritava o homem, para que sua voz fosse escutada por todos, enquanto fazia sinais de dispersão para o jovem.

         - Sei que vingança é algo ruim, todavia eu quero reclamar tua briga com meu irmão, Gabriel. Dar-te-ei a chance de me atacar sete vezes, das quais todas serão defendidas. Terás sete chances de desistir e pedir perdão. – Continuava muito calmo e seguro de si.

         - Haha! O pivete quer uma surra! Rapaziadas só observem! – O brutamonte correu na direção do jovem e desferiu um soco com o braço esquerdo, levemente curvado, qual o garoto defendeu magnificamente.

         No soco seguinte, utilizando o punho direito, o garoto apenas esquivou, movendo sua cabeça para o lado. O homem então subiu a canhota, numa tentativa frustrada de acertar o queixo do garoto. Nosso jovem empurrou a canhota do velho homem com ambas as palmas, fazendo com que ele acertasse a si mesmo, ficando assim com o nariz sangrando.

O homem manteve uma distância segura, limpou o nariz e chutou com a perna direita, que foi impedida por outro movimento de palma aberta, da mão esquerda do mestre em certa arte marcial, qual a ergueu e moveu-se para frente, derrubando o velho sobre uma mesa com muitos copos e garrafas, fazendo-o cortar-se severamente. O sangue escorria do rosto e do tronco e braços cortados do homem. O garoto deu as costas e retirou-se.

O vento continuou a soprar impiedosamente.
Ass.: Igor Livramento

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Consertar



Em um dia, tão normal quanto os outros, fazendo o que eu mais amo fazer na vida, eu aprendi que todos vêm ao mundo para realizar algo. “Os relógios servem para informar o tempo, o trem serve para levar as pessoas ao seu destino... todos vêm ao mundo para consertar algo ou alguém”. E não é que é mesmo? Dar utilidades! Eu achava que sabia disso sabe? Mas descobri naquele momento que tinha uma visão tão pequena disso... Eu sei que todos chegam ao mundo para mudá-lo. Infelizmente pro bem ou pro mal, mais uma escolha a se fazer, como tantas outras, mas aprendi que é muito mais que isso. Eu já me perguntei muito para que “conserto” eu estava aqui, para quem ou o que eu daria vida. Existem aqueles que vieram mostrar o quanto o mal é desprezível e que conseqüências ele pode gerar, aqueles típicos que vieram mostrar o que é tristeza, existem aqueles que vieram apenas para lutar ou aqueles que vieram dar vida as maquinas... Existem aqueles que vieram dar vida aos livros, também àqueles que vieram dar a vida aos oceanos... Existem aqueles que vieram ajudar a nascerem mais vidas que futuramente descobrirão o que farão... Existem aqueles que vieram dar vida ao sonho de alguém, e conseqüentemente aqueles que imaginaram os sonhos, com os olhos abertos, ou até mesmo fechados... Aqueles que ajudam o sonho a crescer e aqueles que dão a direção a ele. Descobri que são muitas as verdades e muitas as mentiras. Mas que podemos consertar! Por que existiriam as duas se não existisse o poder de mudar? Os animais, as flores, os cheiros, a chuva... Todos consertam seu habitat, dão vida, dão cor, dão sensação, refrescam... Nada vem completo e certo... Nós somos isso, somos todo esse poder, que é tão pequeno diante do universo, mas tão grande diante de nós. Não é curioso?

 Ass: Beatriz Sá

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Vácuo


Densa noite adentrava, rasgando o céu em escuridão pálida. Prateado é o hipnotizante olhar dela, capaz de derrubar o mais alto dos anjos, capaz de roubar a alma do mais forte dos homens. Suas acompanhantes e quase eternas amigas reluziam distantes, fazendo da imensidão um amontoado de obscuro e recortes de brilho.

Quase que me esqueço das horas e deixo Cronos fugir-me ao controle, levando consigo toda a razão de ir e vir. Toda a poesia que só um coração quebrado poderia caçar e alimentar feito um lobo odiento e solitário, maculado como as chagas que crucificaram a carne de um mestre e amigo.

         Nunca me prometa amor, meu amor. Sei que és humana e, portanto, falharás em cumprir tuas palavras. Mesmo o doce de teus lábios acabará um dia, como o vento que dissemina o sexo das flores, dentre as flores.


         A falta de coração no homem. Cresço distante do centro.

Ass.: Igor Livramento

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Emaranhado




É madrugada e o silêncio é absoluto.
Não queria admitir, mas me sinto sufocada. Há algo querendo liberdade e me sinto incapaz por não saber o quê.
Quando foi que isso começou? Quando foi que eu comecei a ser menos minha e mais tua? Meus segredos estão tão emaranhados aos teus quanto nossas pernas sob o lençol. Meus olhos precisam mais dos seus do que meus pulmões precisam de ar, isso é assustador.
Faz-me estremecer, querido.
Deitado ao meu lado parece tão domável, tão inofensivo. Engana-se quem pensa ao contrário, afinal, mostraste teu lado domável, inofensivo e cheio de falhas a mim, confiaste esse teu lado tão frágil à minha pessoa, mostrando muito mais de ti do que jamais imaginei.
Olho para frente e sorrio. O armário antiquado voltado de frente para cama, lembra-te? Você quem confessou que queria um quarto à moda antiga, lembro do teu sorriso doce ante minha aceitação. Quem resistiria, no entanto?
As portas escancaradas e espelhadas espelhos que todavia foram desejos meus revelando o caos interno. Tua camisa com meu cheiro, tua gravata presa ao meu vestido, teus sapatos se confundem aos meus tênis (estes errôneos tênis que ainda revelam a menina dentro de mim).
Nossa vida anda tão unida quanto nossas roupas, me sinto feliz, já lhe disse. Mesmo que as lágrimas se rompam de meus olhos algumas vezes e que gritos saiam de meus lábios, me sinto feliz.
Prometi a ti, não foi? São fases, são novas cores sendo pintadas em minha parede, são novas ilustrações do teu rosto e desses teus olhos, novos ângulos, novas facetas que estudei com tanto esmero.
Sinta-te orgulhoso, meu rapaz, fizesse florescer em minha algo que nenhum outro conseguiu.
Não há maneira de fujir.
Ainda guardo tua inscrição de Chico Buarque (“Se nós nas travessuras das noites eternas, já confundimos tanto as nossas pernas. Diz com que pernas eu devo seguir.”) mostrando o quão sensível foi, ao notar-me com medo de prosseguir.
Sufoco esdrúxulo esse que sinto, não é? Sufoco de medo que nunca cessa, de saudades que nunca acaba e principalmente, meu amor (preste atenção), de feridas que tu não me causastes e que nunca sararam, mesmo sendo tu o anjo que é, entenda que existem certas cicatrizes que nunca secam e talvez eu seja mesmo alguém desse tipo.
Espero todos os dias, todos os segundos, todos os beijos e olhares que tu aceite esse coração marcado, essa alma falhada e que acima de tudo, meu querido, que tu me ame por inteira, ame meus defeitos e falhas assim como eu (absolutamente) amo os teus. Não tente me consertar a todo momento, vou me curando aos poucos, juro.
Basta que tu, nesta tua singularidade gritante aceite essa missão.
Porque em minha pluralidade sólida eu aceito cuidar de ti enquanto houver tempo ao meu corpo e eternidade à minha alma.
Enquanto houver voz a mim, juro lhe sussurrar ‘sim’ ao pé do ouvido; seja dia ou noite, quarta ou domingo, eu digo-lhe ‘sim’ de coração aberto e murros caídos.
Afinal, tu me tens desde que tenho um coração.
Sorria dormindo, isso mesmo meu rapaz, tenha bons sonhos.

Jeniffer da Rosa Rebelatto, Olhos de Menina.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Reflexo





             Sabe aqueles dias que você simplesmente para tudo que está fazendo para pensar na vida? Foi num desses dias que eu entrei no meu maior conflito interno. Ser feliz ou fazer a coisa certa? Claro que muitas vezes quando fazemos a coisa certa ficamos felizes, mas e as vezes que não? E as vezes que essa tal coisa errada é o que vai nos fazer feliz? Pensando nisso, eu escrevi essa história...




E lá estavam eles novamente, sorrindo uma para o outro, com aquele brilho no olhar, e eu aqui, observando de longe minha melhor amiga e meu melhor amigo (vulgo minha paixão) se relacionar, tentando fazer seu relacionamento um tanto estranho, mas que para eles funcionava, dar certo. Depois de se despedirem, Katherine passou por mim e sorriu, enquanto Benjamin ia mexer no seu armário.
Eu sei que eu não devia ir lá, mas mesmo assim eu não consegui me controlar, quando eu vi já estava lá sorrindo para ele.
_Oi Ben!
_Oi Alice, e ai?
_Você não vai acreditar, tirei 10 naquela prova!
_Eu falei que você ia se sair bem, parabéns! – disse ele me abraçando.
Ah, aquele abraço... Só de relembrar de como eram seus abraços (sim, “eram”, no passado) me bate uma nostalgia tão grande que nem consigo explicar. Eu me sentia a pessoa mais especial do mundo por ter ele em meus braços, e me sentia tão protegida quanto se tivesse com o super-homem do meu lado.
_É, eu também. – rimos. – Você vai ao luau hoje?
_Claro, você também né?
_Sim. Ai, droga, eu tenho que correr para a sala, essa professora é muito chata com quem chega atrasado. Tchau! – o abracei rápido e corri.
Entrei na sala e todos já estavam sentando. Mas é claro, todos sabiam como a Clarice era, e eu era a única idiota aventureira que arriscava entrar depois dela. Avistei um lugar perto das Anas (sim, o nome das minhas outras duas melhores amigas era o mesmo), e me sentei. Ainda respirando rápido, encostei na cadeira e comecei a lembrar do seu sorriso. Como um simples sorriso daquele podia me deixar tão extasiada? Comecei a sentir seu perfume ao meu redor, mas conhecendo o Benjamin não era coisa da minha cabeça, e sim bem provável que seu cheiro tenha ficado em mim.
_E nos temos que ver isso também né Alice? Alice? Ei!
_Ai! – uma bolinha de papel um tanto dura me acerta no braço. – Oi, desculpa, o que foi?
_Você não ouviu nada do que a gente disse? – disse a Ana C.
_Claro que ouvi.
_Ah é? Então o que estávamos falando? – perguntou a Ana P.
_Tá vocês me pegaram... – confessei. - Sobre o que vocês estavam falando?
_Sobre o luau de hoje, a Ana P não vai, e eu não tenho como voltar.
_Como se isso fosse mesmo um problema né? Você pode dormir lá em casa.
Não! Nós precisamos ir a essa luau, era mais um local que eu poderia vê-lo.
_É uma ótima ideia! Vou ver com os meus pais e te aviso depois. – sorri em resposta apenas.
Virei para a professora e tentei realmente prestar atenção, mas não conseguia, só conseguia pensar em como me sentia em relação ao Benjamin, eu não sabia o que fazer, e pior, sobre como eu me sentia extremamente mal por sentir isso por ele. Claro que eu sabia que a Katherine não amava ele, mas eu também sabia que eles não eram só amigos. Gostar de  alguém e não poder fazer nada em relação a isso é uma droga!


Ass: Júlia Martan

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Pegue Um Pouco




            Talvez eu fosse o primeiro a notar que o mundo já não era mais o mesmo. Quiçá toda a tristeza transformara-se em alegria e nenhuma lágrima, mais, seria derramada. Considerando toda a deformação da beleza qual um dia fora minha – nossa – eu realmente deveria ter matado alguém, ou cometido suicídio.

            Sempre adorei prosa e poesia surrealista, não há muitas coisas neste mundo real – anti-romântico – que são tão reais quanto o reflexo, perturbado pelas ondulações. Meu quarto é pequeno e simples, então eu prefiro sair dele, como faço agora. Desço as escadas, o agradável odor de tinta, o cheiro molhado, úmido, sujo, a sensação de poluição visual-sonora – macia e doce sinestesia, como uma escova de rocha.

            Lá estava ele, um corpo forte com musculatura definida, fedendo abominavelmente, roupas desgastadas e sujas, fitando-a – minha progenitora – sensualmente ela dançava e deslizava as mãos por aquele corpo bruto e esteticamente apreciável, porém feio, brutalizado, maculado pelo acordo dos “belos corpos”. Beleza é como uma merda que aponta para o céu: há de se ver algo artístico nela, sem sombra de dúvidas.

            A lascívia daquele momento exalava permanentemente – como disse: permanentemente, para nunca mais sair dali... De lá... Minha infante memória afogou-se na tristeza dos olhos dos culpados e encarregou-se de trazer os anjos da morte à vida – a pornografia daquele momento exalava permanentemente, a violência da traição.

            Terminei de descer os degraus, Claudius tentou me impedir, mas já sabia que era tarde, tão tarde quanto o “tarde da noite”. Os doze discípulos reuniram-se ao redor do casal, vestidos em seus mantos negros, deixando seus rostos invisíveis para o inimigo deste mundo – o amanhecer dourado terá de chegar. Meus doze amantes – amantes de verdade, aqueles que amam – sacaram da espada e do pano, enquanto os corpos mundanos, humanos, carnais, deleitavam-se em jorros de gozo infindo. Mamãe abriu os olhos e se deparou com a lâmina brilhando sobre sua testa, descendendo velozmente, perfurando seu lindo rosto de quarenta anos tão brutalmente quanto aquele animal estúpido e pobre penetrava a vagina dela repetidamente. O destino dele não foi diferente, cortamos as mãos, depois os pés – tudo com aplicações cirúrgicas seqüenciais, para evitar a morte instantânea – por fim arranquei os olhos e os mastiguei e os engoli. Tinham sabor de sombra orgânica. Gargalhei repetidas vezes e tudo escureceu repentinamente.

            Acordei em minha cama, após desesperados sonho e sono. Verifiquei onde estava minha espada. Desci as escadas e, no percurso, escutei minha mãe gemendo, provavelmente estaria dando prazer a qualquer vagabundo bem dotado que a desejasse. Encontrei minha obra-prima no chão da cozinha, embebida em sangue fresco. Claudius guardava um sorriso horripilante no canto dos lábios e confessou-me ter sido muito divertido começar com o amanhecer dourado tão cedo. O amanhecer há de ser cedo, afinal, é ele que inicia tudo.

Ass.: Igor Livramento

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Masquerade




"Eu sempre acreditei em amor à primeira vista, é algo como comer a melhor sobremesa do mundo: você dá a primeira colherada quase que involuntariamente, e quando consegue detectar o sabor, você paralisa, fecha os olhos, movimenta a língua de modo que o doce se encaixe em cada cantinho da boca e finalmente... engole!"
-Quem é o imbecil que compara amor com sobremesa?
Fechei o livro revirando os olhos e puxando a respiração, jurei para mim mesma, que aquele fechado seria o ultimo romance que eu leria. Na verdade, eu nunca entendi muito bem qual é a intenção de fazer historias com mil e um obstáculos a serem vencidos, se todo mundo ja sabe que o final vai ser feliz. Tá, tá, eu ja sei que é pra dar emoção, mas eu gosto mesmo é de histórias realistas, aquelas sabe? Que nem sempre tudo dá certo, por que convenhamos, que história ruim mesmo é aquela em que no final os dois que se odiavam, terminam juntos e toda mulher comprometida fica grávida (entendeu, rede globo?).  
Minha reflexão sobre histórias foi interrompida pela minha cehgada em casa. Saí do carro, encontrando o jardineiro e ao entrar em casa, me deparo com a minha mãe num conjunto de ginástica azul bebê, falando numa voz aguda com o Snow, nosso puddle, e segundo ela, meu irmão. Ao subir as escadas vejo por uma fresta, no andar de baixo, um homem másculo, praticamente esculpido e jateado de suor, vestindo uma regata branca com pequenos rasgos e pingos de tinta azul. Ele parecia na verdade, um modelo vestido de pedreiro para uma sessão de fotos, mas analizando o tom de cansaço na sua voz e a exaustão escorrendo por cada voltinha de seus musculos, pude concluir, que aquela era mesmo a sua profssão: pedreiro. Ainda hipinotizada pela beleza angelical daquele humilde rapaz da classe c, desci uns dois degraus para observar qual seria o destino da criatura, até que o flagrei encontrando a minha mãe e de imediato colocando aquelas mãos calejadas na cintura dela e a mesma apoiando seus braços nos ombros do garoto.
-Desgraçada!
Não me culpo por insultar minha mãe em pensamento, não é de hoje que não nos damos bem. Levando em conta que ela é vinte anos mais nova que o meu pai, e mesmo sendo uma quarentona, acha que ta na flor da idade. Eles se casaram quando ela tinha 18 anos, ela é gaúcha e meu pai é Ingles, mas mora no Brasil há uns 30 anos. Meu pai sempre pertenceu a uma família rica, então analisando os fatos, eu concluí que eu fui nada mais nada menos que um golpe da barriga. Criativo, não? Mas independente de qual tenha sido a intenção da minha mãe em ter casado , ela não pode sair simplesmente se atirando nos braços do primeiro pedreiro gostosão que bate aqui em casa, meu pai não merece isso! Falando nisso, eu e meu pai sempre tivemos uma relação mais que amigável, foi ele quem me ensinou tudo sobre a vida, desde como amarrar o tênis até como fazer sexo seguro (apesar de que essa parte, eu preferia ter aprendido sozinha). É logico, que ele não está mais na fase de sair pra dançar, ou praticar esportes radicais, então a minha mãe se aproveita dos sessenta  do meu pai para sair catando dois de trinta, ou quatro de quinze, vai saber.
Não acreditando no que eu tava vendo, fui supreendida agachada na escada, por uma figura negra, toda de branco que descia, a Gorete. Essa sim era minha mãe. Me criou e literalmente limpou minhas fraldas. Gorete não estava com a melhor expressão, e ao ver que eu tinha a notado, praticamente cuspiu as palavras: 
-Precisamos conversar!


Ass: Nathália Coelho

Numa Noite Qualquer



III          Eu sei que não deveria começar assim, mas me é desejoso e assim o farei. Foi numa tarde qualquer, mal consigo recordar quando. Não faz muito tempo, disso posso ter certeza. O escritório estava cheio. Eu, sentado na confortável poltrona, lendo o jornal, observando a porta sorrateiramente detrás de minha grande mesa. Ayira fechando as persianas, após servir-me um bom café. Mirela sentada no confortável sofá, localizado de fronte a parede oposta a qual minha mesa prendia-se, observando à estante – recheada de livros – enquanto apreciava um bom café qual só Ayira sabia fazer. Meus olhos fecharam-se, pesadamente.

II          Meus olhos abriam fugazes, vagarosos. Mirela adentrava a sala com uma proposta de um novo caso, sem hesitar já estava de pé, apesar de sentir meu corpo extremamente pesado – toda minha movimentação continuava indiferente de tudo que havia vivido até ali. Corremos até o cemitério e lá estavam os dois, no mesmo local, sob a mesma chuva, parecia ser uma recapitulação de novela. Eu odeio repetir o passado.

I           A cena a qual me refiro trata-se de quando encontrei Ayira. Vagava pelo cemitério, solitário, incompreensivo, buscando alguma sorte de conversa para a noite sem fim e lá a encontrei. Dezessete anos, ajoelhada, chorava tanto que a chuva perdia em quantia para suas lágrimas. Com nenhum esforço repousei a destra pouco abaixo de minha cintura, sutilmente inclinada, cobrindo a garota com meu guarda-chuva. Tão jovem, tão amorável, tão bonita, virou-se para mim, ergueu-se e abraçou-me nos deixando vulneráveis à água fria que os céus derramavam. Abracei-a em resposta. Não haveria mais limites para nossa cumplicidade, vós logo sabereis. Retornamos para meu apartamento, imediatamente acima do escritório, dei-lha banho quente e um roupão qual serviria de vestuário pela noite. Meu primeiro erro. Nosso primeiro erro.

II          A chuva torrencial fazia daquela cena uma recordação triste. Eu vi a tristeza gritando do fundo da alma de Ayira, rugindo contra sua própria vida. Seus tão amados progenitores, agora transmutados em monstruosidades, aberrações quais destruiriam a vida humana. Eu não sei se deveria me importar com isso, realmente. Eu os matei. Ayira insistiu, meteu-se em meu caminho, recebeu um pequeno corte no braço, não havia preocupações. Ela viu seus pais mortos por minhas mãos, imagino sua dor, apesar de ser incapaz de me recordar dos tempos em que eu também guardava emoções humanas. Milena salvou-me da fúria angustiante de minha jovem cúmplice.

I           Minha consciência me atacou constantemente naquela fria noite. Sentamo-nos em minha cama, Ayira apoiou sua cabeça em meu ombro, enquanto eu tratava de saborear um bom vinho. Nunca me esqueci da pergunta que ela me fez. Aquela porcaria ainda martela meu crânio. Quiçá martelará para sempre, não bem sei. Por que ela havia de desejar tanto? Eu nunca desejei a eternidade, mas naquele exato momento... Eu adoraria que a vida durasse para sempre.

II          Eu continuei olhando, estarrecido, paralisado. Ayira correu e desapareceu no horizonte dos nossos olhares. Chorava tanto quanto, ou mais que a primeira vez. A vida pode ser muito sombria. Voltamos para o escritório, apenas eu e Milena. O escritório ficou silencioso. Silêncio de uma gravidade tão pesada e sufocante que mal conseguia ficar sentado. Noite após noite corremos atrás dela, encontrando apenas as vítimas de sua loucura, drenadas de seu fluido carmesim pelos pequenos furos característicos no pescoço. Eu não sabia o que fazer. Eu nunca soube, nunca estive preparado para isso. Evitava pensar que repetiria o erro de quem me fez assim. Talvez eu realmente tivesse de matá-la. Sentia meu corpo levemente suado.

I           Na mesma semana ela já me servia seu ótimo café, dizia que aprendera com a mãe. Faz sentido, considerando o delicioso sabor. Sempre sorridente, estudava à tarde. Morava comigo, pela falta de casa e tutela. Nunca fui um bom exemplo, de qualquer forma. Concedido a vida eterna, na escuridão infinda da noite, devorando a essência vital dos humanos, eu não havia de ser um bom tutor. Raynar tornou-me assim, não gostaria de ver minha jovem companheira também uma criatura das trevas tal qual eu. Assim foi. Raynar apareceu numa noite de neve e muito vento, seqüestrou Ayira e a manteve em cativeiro na igreja aonde fizemos nossa única festa... Festa? Banho de sangue. Meu antigo mestre e amante tratou de ferir gravemente o objeto de minha proteção e afeto. Sem opções em mãos, vendo o sorriso dela com lágrimas nos meus olhos, desta vez, tornei-a igual a mim ou ao demônio santificado que me criou. Não! Ela é melhor que ele. Centenas de vezes.

II          Encontramo-nos na floresta que cerca a maldita igreja. Ayira, agora dominada por seus instintos, gargalhava de meu comportamento protetor dos humanos, mal sabia ela que fora essa “fraqueza” que a permitiu sobreviver. Lutamos. Ela matou Milena impiedosamente, sem hesitar por só um momento. Deu cabo do corpo com muita facilidade e absorveu suas capacidades, aprendeu bem nas silenciosas noites de caçada àqueles quais não podem viver na superfície. Todavia, estou no ramo há mais tempo, perfurei o torso dela com minha espada. Um último espirro de sangue e...

III          Abri os olhos, suando um pouco, dormi em minha confortável poltrona, enquanto Ayira questionava-me com seus olhos curiosos e sua beleza infinita. Milena já havia ido embora há muito, foi um dia tão tranqüilo que pude dormir sem perceber. Tomei um bom banho, ela me imitou. Deitamos nossos corpos imortais lado a lado. Encarou-me profundamente e proferiu a mesma questão da primeira vez. Em diferenciação, escutou, agora, o que gostaria de ter escutado cinco meses antes.

 - Que tipo de relacionamento é o nosso? – Questionava a profundidade de minha alma com aqueles maravilhosos olhos azuis.

 - Somos amigos íntimos, não? – Respondi rapidamente.

 - Isso foi tão evasivo! – Fitava-me, indignada.

 - Não te arrependes? – Tomei as rédeas do discurso.

 - Estaria mentindo se concordasse, mas não é nada que eu não seja capaz de lidar e superar. Eu escolhi, conscientemente, partilhar a eternidade contigo. – Afirmou, com tom firme e determinado.

 - Vamos dormir. – Beijei sua testa suavemente e cobri nossos corpos.

Ass.: Igor Livramento

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Confissões de um escritor


Boa tarde leitores! Bom, aqui começo eu com nosso diário...




 A RESPOSTA DO POR QUE 


 Eu sempre quis ser uma escritora de sucesso. Sempre achei que o sucesso e fama como escritor vinham de um esforço tão pessoal, que fazer alguém entender era um dom. Essa conclusão, sempre me fez querer conquistar tudo isso. As coisas bonitas do mundo sempre me inspiram a criar um pensamento. Em algum momento de minha vida, as coisas más do mundo também me mostraram que era possível fazer do ruim algo bom para a mente humana. As palavras sempre me deixaram com medo. Às vezes tão pequenas e aparentemente simples, mas por trás... Sempre com um significado que te faz retorcer a alma em busca de respostas. Acho que justamente por isso sempre amei tanto escrever. Ser desafiada por atos de orgulho humano é nojento, mas ser desafiada por algo que dê significado ao mundo é emocionante. Quando era mais nova, eu não entendia o porquê de muitas pessoas não conseguirem olhar para um papel em branco e uma caneta em suas mãos. Achava que tinha algo relacionado à vocação. Hoje, penso diferente. O medo das pessoas de escrever está relacionado ao medo de saber o que se passa dentro de si mesmo. O grande medo da descoberta. Isso impossibilita a humanidade de escrever. É mais cômodo fechar os olhos para tudo que se sente, seja vindo da imaginação, seja um fato real. Não importa. O que você escreve, você deseja, possui, sonha, ou quer muito longe de você. As palavras transmitem algum sentimento, e é isso que a humanidade não quer ver. Os sentimentos estão em obscuro, cada vez mais. A mente de um escritor é um turbilhão constante. Cada momento que presencia se transforma em constantes histórias, que passam como um flash, daqueles que dizem que se projeta na mente do quase morto antes de morrer, em uma velocidade parecida com a da luz. É preciso moldar. Tudo que existe no mundo pode se transformar em palavras que se tornem uma reflexão, que se torne uma escrita digna. Mas é preciso tempo e paciência. No inicio é difícil lidar, a emoção toma conta do seu ser e sua vontade de descarregar, como um pendrive em um computador, todas as suas idéias no papel. Só o tempo permite que a seleção de palavras e de sentimentos entre em um consenso. Eu admiro um escritor por qualidades que seria impossível enumerar, mas principalmente, pela atitude de mostrar ao mundo seus pensamentos e idéias, que ninguém pode saber, e nunca saberia, se sua mão nervosa não se tornasse o instrumento.


Ass: Beatriz Sá -> www.simplesopinioes.blog.com