O
vento soprava impiedosamente. A cabeça careca, lisa, o corpo recoberto por
roupas simples, calça larga, sapatilhas nos pés, moletom a cobrir do tronco
para cima, sobreposto a uma camiseta preta simples, de mangas longas. Ele
adentrava o bar com um semblante pacífico e tranqüilo. Todos os barbudos, os
carecas, ambos musculosos, observavam o jovem cerca de dez anos mais novo que a
maioria ali presente.
-
Quem é Gabriel? – Pronunciou-se, finalmente, quebrando o silêncio.
Um
homem grande, de musculatura desenvolta, com algumas tatuagens de caveiras em
chamas e santos espalhadas pelo corpo levantou-se, detrás do balcão. Havia um
lenço preso à sua testa, qual cobria a falta de cabelo, visivelmente compensada
pelo excesso de barba.
-
Sou eu, pequenino. O que você quer? – Disse com a voz arranhada do uísque sem
gelo qual acabara de beber.
- Eu
não estou nada feliz com que fizeste Gabriel, ao meu irmão. Ele está
hospitalizado por tua causa. E eu bem sei, via relatos dos presentes na
ocasião, que tu estavas completamente consciente. Poderias ter evitado a
tragédia. – Proferiu o garoto careca, de rosto liso, barba feita. Sua voz
matinha um tom calmo e pacífico, quase amigável e seus olhos dificilmente
demonstravam a vingança esquentando e queimando seu sangue, internamente, em
sua disciplinada mente.
- Você fala demais, pirralho. Nem tem
idade para entrar aqui. Rala peito ou o couro vai comer. Anda! Anda! – Gritava
o homem, para que sua voz fosse escutada por todos, enquanto fazia sinais de
dispersão para o jovem.
-
Sei que vingança é algo ruim, todavia eu quero reclamar tua briga com meu
irmão, Gabriel. Dar-te-ei a chance de me atacar sete vezes, das quais todas
serão defendidas. Terás sete chances de desistir e pedir perdão. – Continuava
muito calmo e seguro de si.
-
Haha! O pivete quer uma surra! Rapaziadas só observem! – O brutamonte correu na
direção do jovem e desferiu um soco com o braço esquerdo, levemente curvado,
qual o garoto defendeu magnificamente.
No
soco seguinte, utilizando o punho direito, o garoto apenas esquivou, movendo
sua cabeça para o lado. O homem então subiu a canhota, numa tentativa frustrada
de acertar o queixo do garoto. Nosso jovem empurrou a canhota do velho homem
com ambas as palmas, fazendo com que ele acertasse a si mesmo, ficando assim
com o nariz sangrando.
O homem manteve uma
distância segura, limpou o nariz e chutou com a perna direita, que foi impedida
por outro movimento de palma aberta, da mão esquerda do mestre em certa arte
marcial, qual a ergueu e moveu-se para frente, derrubando o velho sobre uma
mesa com muitos copos e garrafas, fazendo-o cortar-se severamente. O sangue
escorria do rosto e do tronco e braços cortados do homem. O garoto deu as
costas e retirou-se.
O vento continuou a
soprar impiedosamente.
Ass.: Igor Livramento

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