"Eu sempre acreditei em amor à primeira vista, é algo como comer a melhor sobremesa do mundo: você dá a primeira colherada quase que involuntariamente, e quando consegue detectar o sabor, você paralisa, fecha os olhos, movimenta a língua de modo que o doce se encaixe em cada cantinho da boca e finalmente... engole!"
-Quem é o imbecil que compara amor com sobremesa?
Fechei o livro revirando os olhos e puxando a respiração, jurei para mim mesma, que aquele fechado seria o ultimo romance que eu leria. Na verdade, eu nunca entendi muito bem qual é a intenção de fazer historias com mil e um obstáculos a serem vencidos, se todo mundo ja sabe que o final vai ser feliz. Tá, tá, eu ja sei que é pra dar emoção, mas eu gosto mesmo é de histórias realistas, aquelas sabe? Que nem sempre tudo dá certo, por que convenhamos, que história ruim mesmo é aquela em que no final os dois que se odiavam, terminam juntos e toda mulher comprometida fica grávida (entendeu, rede globo?).
Minha reflexão sobre histórias foi interrompida pela minha cehgada em casa. Saí do carro, encontrando o jardineiro e ao entrar em casa, me deparo com a minha mãe num conjunto de ginástica azul bebê, falando numa voz aguda com o Snow, nosso puddle, e segundo ela, meu irmão. Ao subir as escadas vejo por uma fresta, no andar de baixo, um homem másculo, praticamente esculpido e jateado de suor, vestindo uma regata branca com pequenos rasgos e pingos de tinta azul. Ele parecia na verdade, um modelo vestido de pedreiro para uma sessão de fotos, mas analizando o tom de cansaço na sua voz e a exaustão escorrendo por cada voltinha de seus musculos, pude concluir, que aquela era mesmo a sua profssão: pedreiro. Ainda hipinotizada pela beleza angelical daquele humilde rapaz da classe c, desci uns dois degraus para observar qual seria o destino da criatura, até que o flagrei encontrando a minha mãe e de imediato colocando aquelas mãos calejadas na cintura dela e a mesma apoiando seus braços nos ombros do garoto.
-Desgraçada!
Não me culpo por insultar minha mãe em pensamento, não é de hoje que não nos damos bem. Levando em conta que ela é vinte anos mais nova que o meu pai, e mesmo sendo uma quarentona, acha que ta na flor da idade. Eles se casaram quando ela tinha 18 anos, ela é gaúcha e meu pai é Ingles, mas mora no Brasil há uns 30 anos. Meu pai sempre pertenceu a uma família rica, então analisando os fatos, eu concluí que eu fui nada mais nada menos que um golpe da barriga. Criativo, não? Mas independente de qual tenha sido a intenção da minha mãe em ter casado , ela não pode sair simplesmente se atirando nos braços do primeiro pedreiro gostosão que bate aqui em casa, meu pai não merece isso! Falando nisso, eu e meu pai sempre tivemos uma relação mais que amigável, foi ele quem me ensinou tudo sobre a vida, desde como amarrar o tênis até como fazer sexo seguro (apesar de que essa parte, eu preferia ter aprendido sozinha). É logico, que ele não está mais na fase de sair pra dançar, ou praticar esportes radicais, então a minha mãe se aproveita dos sessenta do meu pai para sair catando dois de trinta, ou quatro de quinze, vai saber.
Não acreditando no que eu tava vendo, fui supreendida agachada na escada, por uma figura negra, toda de branco que descia, a Gorete. Essa sim era minha mãe. Me criou e literalmente limpou minhas fraldas. Gorete não estava com a melhor expressão, e ao ver que eu tinha a notado, praticamente cuspiu as palavras:
-Precisamos conversar!
Ass: Nathália Coelho

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