terça-feira, 20 de março de 2012

Easter Bunnies - Capítulo 01: O Começo Do Fim



         Estava o garoto, tristemente, desocupado durante o horário de trabalho e observava o twitter da ex-namorada. Lendo a descrição do perfil de usuário ele se recorda das bandas favoritas dela, de sua comida favorita e observa, ao final, uma visão não menos rude que um ataque terrorista: “E sou do Daniel”.

         - Um instante! – pensou ele. – Quando estavas comigo, vadia, não eras “minha” porque não mais vivemos numa escravidão e as pessoas não pertencem umas às outras como propriedades, visto que vivemos e sobrevivemos perante a valorização da individualidade de cada ser humano, respeitando seu universo próprio e pessoal, criando e desatando laços aqui e ali. – desenvolvia o pensamento dentro de si mesmo.

         É então que ele decide buscar o perfil de usuário do novo namorado e a merda está feita. Deus sabe do que falo.

         - E gosto de tuhn tcha tcha tuhntuhn tcha?! Quem porras este pedaço de bosta pensa que é? Assim não vai dar, não vai rolar. Porra! Que vadia! Ela me trocou... Por isso!? De jeito maneira! Isso não vai ficar assim. Não mesmo. – remoia-se em pensamento sombrios e cruéis.

         Há de se notar que ele não é um garoto normal, seus sentimentos não condizem com os padrões da maioria das pessoas e isso o torna meu objeto de narração. Faz-se aqui o milagre da fantasia e nomeia-se o garoto por Azkriel. É seu nome de enredar. Se não o é, passará a ser.

         Ainda três horas da tarde e nosso protagonista adentra o apartamento de sua ex-namorada, aproveitando a saída dela. Ela o cumprimenta e diz que não demorará em retornar. Ele apenas sorri com os lábios, sem expor os dentes e aproveita-se do momento. Quando a porta se fecha ele sorri de forma obscena, vívida, maldita, um sorriso esgarçado e odiento.

         Voltando pelas horas da noite, alegremente, a dona do apartamento encontra sangue no chão da sala e sobre ambos os sofás. Nada se vê na cozinha. Levantando os olhos para o corredor ela observa seu ex-amante parado, com um olhar vago, distante e os lábios trêmulos. Suas mãos estão banhadas em sangue e possuem pequenos pedaços do concreto das paredes enfiadas nelas. As paredes possuem grandes buracos e rachaduras profundas, demonstrando a força sobre-humana do garoto.

         - Yuki! – a jovem corre desesperadamente em direção ao quarto, buscando encontrar seu cãozinho com vida.

         Doce engano. Nosso herói o havia aberto com as próprias mãos, espalhando suas vísceras pelo chão. O olhar de sofrimento do animal era pouco notório. Júlia volta correndo, enfurecida, a fim de enfrentar nosso homem e monstro. Porque eu sei que muitos de vocês o chamam de monstro ao saberem do fim trágico que ele deu ao animal. Seus parciais de merda.

         Enganada pela fúria ela o golpeia a face com uma tapa. É o fim. Azkriel sorri como um demônio, seus olhos avermelham-se e enegrecem-se. O verdadeiro fim chegou. Nem mais um amanhã para usar de desculpa. Nem mais um novo amor para esquecer um antigo.

         Desfazendo a garota em trapos de uma pessoa, ele a espanca com tamanha violência que seu corpo desmaia e acorda repetidas vezes, durante a série de socos desferidos contra seu rosto e torso. Gentilmente segurando-a pelas canelas, rompe ambos os joelhos para trás em fraturas expostas, contrárias ao movimento natural. Ele então arranca o olho direito da garota, mastigando-o como um animal esfomeado. O frágil corpo insiste em permanecer acordado e vivo, fazendo-a gritar incessantemente, enriquecendo a maldade de nosso protagonista. Num ato de puro amor ao ódio ele morde a mão dela, expondo mais alguns ossos ao ar ambiente.

         É então que o grande espetáculo da miséria humana toma forma. Arrastando o corpo de sua segunda vítima, sua ex-namorada, até o banheiro, ela é capaz de avistar, mesmo em meio ao próprio sangue e sofrimento, o corpo de Daniel, seu atual namorado. Chorosa, ela identifica o corpo do atual amante amarrado de ponta-cabeça, com diversos cortes sobre o torso, pernas, braços e rosto. O namorado sorri ao ver o objeto de sua paixão, porém o dono da situação usa-se de um alicate para arrancar-lhe alguns dentes, impedindo-o de sorrir em meio a tamanho sofrimento.

         - Eu sou seu Deus agora! Eu sou a porra do amor que você esmagou quando beijou aquele filho da puta na minha frente e disse que tudo tinha acabado! Tá vendo?! Você tá vendo a fonte de toda a força que flui no universo! Daquilo tudo que vive e que morre! Eu sou Deus! – e gargalhava como um maníaco, afinal é um maníaco, abusando do controle da situação sobre ambas as vítimas.

         Assim, fria e indiferente, a noite se acabava, com os vizinhos do andar logo abaixo, o segundo andar, fazendo uma bela festa, com música alta a noite inteira, impedindo os gritos de serem percebidos. Deu-se assim o começo do fim. Azkriel não mais pertence aos Easter Bunnies enquanto membro vivente, mas isso... Contarei só no próximo capítulo.

Ass.: Igor Livramento

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