Estava
o garoto, tristemente, desocupado durante o horário de trabalho e observava o twitter da ex-namorada. Lendo a
descrição do perfil de usuário ele se recorda das bandas favoritas dela, de sua
comida favorita e observa, ao final, uma visão não menos rude que um ataque
terrorista: “E sou do Daniel”.
- Um
instante! – pensou ele. – Quando estavas comigo, vadia, não eras “minha” porque
não mais vivemos numa escravidão e as pessoas não pertencem umas às outras como
propriedades, visto que vivemos e sobrevivemos perante a valorização da
individualidade de cada ser humano, respeitando seu universo próprio e pessoal,
criando e desatando laços aqui e ali. – desenvolvia o pensamento dentro de si
mesmo.
É
então que ele decide buscar o perfil de usuário do novo namorado e a merda está
feita. Deus sabe do que falo.
- E gosto de tuhn tcha tcha tuhntuhn tcha?!
Quem porras este pedaço de bosta pensa que é? Assim não vai dar, não vai rolar.
Porra! Que vadia! Ela me trocou... Por isso!? De jeito maneira! Isso não vai
ficar assim. Não mesmo. – remoia-se em pensamento sombrios e cruéis.
Há
de se notar que ele não é um garoto normal, seus sentimentos não condizem com
os padrões da maioria das pessoas e isso o torna meu objeto de narração. Faz-se
aqui o milagre da fantasia e nomeia-se o garoto por Azkriel. É seu nome de
enredar. Se não o é, passará a ser.
Ainda
três horas da tarde e nosso protagonista adentra o apartamento de sua
ex-namorada, aproveitando a saída dela. Ela o cumprimenta e diz que não
demorará em retornar. Ele apenas sorri com os lábios, sem expor os dentes e
aproveita-se do momento. Quando a porta se fecha ele sorri de forma obscena,
vívida, maldita, um sorriso esgarçado e odiento.
Voltando
pelas horas da noite, alegremente, a dona do apartamento encontra sangue no
chão da sala e sobre ambos os sofás. Nada se vê na cozinha. Levantando os olhos
para o corredor ela observa seu ex-amante parado, com um olhar vago, distante e
os lábios trêmulos. Suas mãos estão banhadas em sangue e possuem pequenos
pedaços do concreto das paredes enfiadas nelas. As paredes possuem grandes
buracos e rachaduras profundas, demonstrando a força sobre-humana do garoto.
-
Yuki! – a jovem corre desesperadamente em direção ao
quarto, buscando encontrar seu cãozinho com vida.
Doce engano. Nosso herói o havia aberto
com as próprias mãos, espalhando suas vísceras pelo chão. O olhar de sofrimento
do animal era pouco notório. Júlia volta correndo, enfurecida, a fim de enfrentar
nosso homem e monstro. Porque eu sei que muitos de vocês o chamam de monstro ao
saberem do fim trágico que ele deu ao animal. Seus parciais de merda.
Enganada pela fúria ela o golpeia a
face com uma tapa. É o fim. Azkriel sorri como um demônio, seus olhos
avermelham-se e enegrecem-se. O verdadeiro fim chegou. Nem mais um amanhã para
usar de desculpa. Nem mais um novo amor para esquecer um antigo.
Desfazendo a garota em trapos de uma pessoa,
ele a espanca com tamanha violência que seu corpo desmaia e acorda repetidas
vezes, durante a série de socos desferidos contra seu rosto e torso.
Gentilmente segurando-a pelas canelas, rompe ambos os joelhos para trás em
fraturas expostas, contrárias ao movimento natural. Ele então arranca o olho
direito da garota, mastigando-o como um animal esfomeado. O frágil corpo
insiste em permanecer acordado e vivo, fazendo-a gritar incessantemente,
enriquecendo a maldade de nosso protagonista. Num ato de puro amor ao ódio ele
morde a mão dela, expondo mais alguns ossos ao ar ambiente.
É então que o grande espetáculo da
miséria humana toma forma. Arrastando o corpo de sua segunda vítima, sua
ex-namorada, até o banheiro, ela é capaz de avistar, mesmo em meio ao próprio
sangue e sofrimento, o corpo de Daniel, seu atual namorado. Chorosa, ela
identifica o corpo do atual amante amarrado de ponta-cabeça, com diversos
cortes sobre o torso, pernas, braços e rosto. O namorado sorri ao ver o objeto
de sua paixão, porém o dono da situação usa-se de um alicate para arrancar-lhe
alguns dentes, impedindo-o de sorrir em meio a tamanho sofrimento.
- Eu sou seu Deus agora! Eu sou a porra
do amor que você esmagou quando beijou aquele filho da puta na minha frente e
disse que tudo tinha acabado! Tá vendo?! Você tá vendo a fonte de toda a força que flui
no universo! Daquilo tudo que vive e que morre! Eu sou Deus! – e gargalhava
como um maníaco, afinal é um maníaco, abusando do controle da situação sobre
ambas as vítimas.
Assim, fria e indiferente, a noite se
acabava, com os vizinhos do andar logo abaixo, o segundo andar, fazendo uma
bela festa, com música alta a noite inteira, impedindo os gritos de serem
percebidos. Deu-se assim o começo do fim. Azkriel não mais pertence aos Easter Bunnies enquanto membro vivente,
mas isso... Contarei só no próximo capítulo.
Ass.: Igor
Livramento
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