Densa noite adentrava, rasgando o céu em escuridão pálida.
Prateado é o hipnotizante olhar dela, capaz de derrubar o mais alto dos anjos,
capaz de roubar a alma do mais forte dos homens. Suas acompanhantes e quase
eternas amigas reluziam distantes, fazendo da imensidão um amontoado de obscuro
e recortes de brilho.
Quase que me esqueço das horas e deixo Cronos fugir-me ao
controle, levando consigo toda a razão de ir e vir. Toda a poesia que só um
coração quebrado poderia caçar e alimentar feito um lobo odiento e solitário,
maculado como as chagas que crucificaram a carne de um mestre e amigo.
Nunca me prometa amor, meu amor. Sei que és humana e, portanto, falharás em cumprir tuas palavras. Mesmo o doce de teus lábios acabará um dia, como o vento que dissemina o sexo das flores, dentre as flores.
A falta de coração no homem. Cresço distante do centro.
Nunca me prometa amor, meu amor. Sei que és humana e, portanto, falharás em cumprir tuas palavras. Mesmo o doce de teus lábios acabará um dia, como o vento que dissemina o sexo das flores, dentre as flores.
A falta de coração no homem. Cresço distante do centro.
Ass.: Igor Livramento

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