Talvez
ninguém tenha pensado nisso, mas os garotos com certeza tiveram a grande ideia.
Htsiel planejou tudo e coordenou o grupo como jamais visto antes pelas mãos de
tão impetuoso membro. Avraham, não contente com o incidente suicida de seu
parceiro de longa data, enveredou-se por outras escolhas e terminou caindo no
mesmo plano dos colegas, por mais que não desejasse. Sua ambição era boa, quiçá
autodestrutiva, contudo muito otimista e significativa. A única diferença é que
ele não se uniria aos demais, no derradeiro momento.
Fatídico ou não,
Avraham era genuinamente digno do cargo de companheiro de Azkriel. Sua
capacidade de planejamento era suprema, indiscutível. Recorda uma vez que ele
salvou toda a equipe com uma simples troca de percurso na rota de fuga dos
assassinos. As melhores observações sempre eram feitas por ele. O mais preciso
olhar analítico de toda a instituição, ele detinha uma capacidade muito rara e
valiosa de pensamento e encadeamento lógico consequencial jamais vista. Sua
fama era de estrategista, por muitos ignorarem os poucos e extremamente
satisfatórios serviços que já havia feito. Senhor dos martelos.
Contando menos de
duas horas para o fim da história, Disciple embarcou no ônibus e voltou para
sua casa, com um sorriso no rosto e uma lembrança na memória. Por fim seria
capaz de se tornar líder de alguma coisa, repousar numa posição superior a
alguém, comandar alguém, sentir o gosto do poder. Mal ele conhecia o futuro.
Mal o futuro conhecia a si mesmo.
O último caminhão
posicionou-se no norte da ilha, perto do atracadouro. Seis mergulhadores desceram
pela lateral rochosa e encontraram seus alvos com relativa facilidade. Sem
demora, emergiram, em conjunto, tais quais atletas. Um simples sinal. Um
telefonema foi feito.
- Sim, Htsiel, pode
fazer o pronunciamento e estamos feitos. Que nossas carcaças apodreçam em paz e
nossos nomes sejam lembrados por toda a eternidade como os protetores do novo
mundo. Que Disciple entenda o recado, finalmente. – Dizia a voz rouca de
Avraham, em tom solene e grave.
- Um instante. Deixe
Ré se pôr pela última vez. Ele tem o direito de se despedir, afinal, não mais o
veremos. Encontraremo-nos com o fim da história, finalmente. A última página.
Aprecie o céu colorido. Sinta-se plenamente envolvido pela vida, pela última
vez, sinta-a beijar teus lábios e abraçar teu corpo. Sinta a vida como nunca
sentiu. Ame-a, deixe-a amar-te. Viva-a. Respire fundo e feche os olhos. É
agora. – A voz de Htsiel esvaiu-se pacífica e suavemente. Era chegada a hora.
Um simples movimento. Um dedo e um botão. O fim.
O leitor mal deve
entender o que se passou. Bem, os Easter Bunnies implantaram bombas de porte
médio, projetadas para destruição em grande escala, sob a ilha que habitavam. O
Sol se pôs e Htsiel desejou observar, apreciando sua última visão antes da
morte. É quando finalmente decide por apertar um pequeno botão em seu bolso e a
ilha começa a estremecer e desmoronar, abrir-se em partes e afundar. Uma cidade
inteira engolida pelo oceano.
A morte de –
aproximadamente - um milhão e duzentos mil pecadores, mentirosos, enganadores,
monstros. Demônios, como chamaria Azkriel. E, para ele, o mundo foi salvo. O
mundo também concorda, os Easter Bunnies morreram, o mundo se sente salvo.
Disciple chora ao ver as imagens do território em chamas e submergindo. Um
velho império cai para que um novo império nasça.
Ass.: Igor
Livramento

Nenhum comentário:
Postar um comentário